DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO NO VALE DO JEQUITINHONHA: UMA ANÁLISE SOB A ÓTICA DAS POLÍTICAS PÚBLICAS

Marcos Antônio Nunes, Sabrina Aparecida Batista, Bianca Reis Cardoso

Resumo


Esta comunicação visa analisar as políticas públicas do turismo brasileiro e apresentar alternativas ao desenvolvimento da atividade em regiões pobres, particularmente o Vale do Jequitinhonha. Ao se tratar de área de repulsão demográfica e baixo índice de desenvolvimento humano, o senso comum sinaliza a inviabilidade da implantação da atividade turística no Vale do Jequitinhonha. Contudo, a densidade de seus atrativos naturais e histórico-culturais indica inúmeras possibilidades para os segmentos turísticos. O turismo é uma atividade essencialmente espacial, caracterizado pela fluidez, que implica em “mobilidades”, tanto humana, pois determina o traslado do “consumidor” (turista), quanto de veículos, mercadorias, serviços e informações. Essa mobilidade deve garantir a distribuição espacial da oferta de serviços e o desenvolvimento socioeconômico das territorialidades, que compreendem três áreas distintas: os centros de emissão, os núcleos receptores e as áreas de deslocamento. Por isso, as políticas públicas do setor devem analisar a atividade do ponto de vista do desenvolvimento territorial, já que (re)produz, seleciona e segrega o espaço. Entretanto, as experiências de planejamento turístico adotadas até então, privilegiam os polos turísticos consolidados, e tem-se mostrado ineficazes para promover efeitos de “arraste”, que resultassem no desenvolvimento das áreas periféricas. Esse modelo dominante está vinculado ao processo de globalização e ao fascínio pela inserção competitiva das localidades turísticas, que aparecem desconectadas da realidade regional. É possível promover o desenvolvimento turístico na região de forma mais equânime? A proposta que apresentamos é o desenvolvimento territorial do Turismo a partir das redes de localidades, que pode incrementar a atividade nos diversos núcleos receptores, através da alternância de eventos turísticos, da mobilização das comunidades, dentre outros. O Jequitinhonha assiste algumas incursões nesse sentido, como o Festival de Cultura Popular do Vale do Jequitinhonha. Contudo, faz-se necessário adotar modelos de planejamento turístico territorial, que levem em consideração outras peculiaridades regionais.

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