Transporte Automotivo e Dimensões Socioespaciais do Capitalismo no Século XX

Ralfo Matos, Amélia Maria

Resumo


As reestruturações econômicas e socioespaciais do século XX fizeram parte de processos de mudanças de larga duração, nos quais inclui-se a ampliação dos mercados mundializados e a configuração da dicotomia países capitalistas centrais e periféricos. Tudo isso veio provocar impactos profundos na mobilidade das pessoas e na própria urbanização e localização de atividades econômicas.

Ainda nas primeiras décadas do século, o fordismo enquanto modo de regulação e de produção evoluía dentro de duas lógicas: a da produção e a do consumo. Sob qualquer uma delas pode-se entender parte das mudanças econômicas e socioespaciais protagonizadas pelo avanço da indústria automobilística, notadamente quando as dimensões tecnológica e cultural são examinadas ao lado dos processos de urbanização e expansão demográfica.

De fato, o transporte rodoviário não surgiria sem uma série de inovações tecnológicas que se acumularam desde a segunda metade do século XIX. O paradigma automotivo, além de multiplicar as possibilidades de deslocamentos, cumpriu uma série de funções que fizeram crescer vertiginosamente o consumo de espaços públicos, em um processo de concorrência com o transporte ferroviário que produziria uma série de reflexos nas sociedades modernas.

Nas primeiras décadas do século XX os processos de urbanização tornaram-se mais densos e as novas tecnologias propiciaram uma expansão inusitada dos assentamentos humanos, em meio a uma série de novidades com a modernização das cidades e dos costumes. A chamada revolução dos transportes e comunicações encurtou o tempo e as distâncias, fez surgir grandes áreas urbanas e favoreceu o aumento da capacidade de produção de novos bens e serviços em níveis inéditos. Surgia a produção em massa.


 


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