Espacialidade dos Fluxos Migratórios dos Municípios da Bacia do Rio Mucuri em Minas Gerais

Ricardo Alexandrino Garcia, Marcos Antônio Nunes, Aline Silva de Oliveira

Resumo


O Vale do Mucuri é considerado uma das regiões-problema de Minas Gerais e por isso merece atenção especial de toda sociedade, especialmente do Governo de Minas Gerais e da União. Sabe-se que a porção centro-sul mineira, em geral, é mais rica e dinâmica, enquanto o seu antípoda, mais pobre. Os problemas de ordem econômica e social referem-se àqueles que caracterizam boa parte da porção centro-norte de Minas Gerais, representados por indicadores socioeconômicos, em alguns casos, inferiores à média estadual: PIB per capita, expectativa de vida, saneamento básico, etc. Em outros, lamentavelmente, superiores: taxa de mortalidade infantil, grau de analfabetismo, etc.

Longe de afirmar que a região do Mucuri é olvidada por pesquisadores, ela é, no mínimo, pouco pesquisada, ao se comparar com os estudos realizados para outras regiões mineiras. Esta assertiva encontra facilmente ecos no meio acadêmico (CERQUEIRA NETO, 2005). Em geral, os trabalhos realizados para a região tratam de temas pontuais, como o estudo da década de 1990, que se refere à colonização alemã no Mucuri (FJP, 1993). Por seu turno, o trabalho de Fonseca (1985) refere-se à história e ao povo de Nanuque. Na mesma perspectiva encontram-se os trabalhos de Ribeiro (2004), que estudou as imigrações e a expansão da agricultura nas matas do Mucuri. Algo pouco diferente, porém demasiadamente agregado, pode ser encontrado de Augusto (2007) que analisou os fluxos migratórios para as mesorregiões mineiras.

A elaboração de estudos direcionados ao desenvolvimento das regiões mais carentes - como é o caso da Bacia do Rio Mucuri - e que visem sua integração às áreas e centros mais 

dinâmicos do país torna-se cada vez mais premente. Nesse sentido, caracterizar a espacialidade dos fluxos migratórios dos municípios que integram o Vale do Mucuri é o primeiro passo para a elaboração de diagnósticos socioeconômicos que levem em consideração a estrutura reticular que conforma essa parcela do território mineiro. E é esse o principal objetivo desse artigo. 


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