O Muro Estadunidense: Uma Geopolítica do Desencontro

Célio Augusto da Cunha, Rafael Rodrigues da Franca

Resumo


Trabalhos relacionados à produção de fronteiras constituem, no âmbito da geografia, temática tradicional. Entretanto, por razões históricas e epistemológicas, estudos de geografia política tornaram-se mais raros - não por mero acaso -  após a Segunda Guerra. Consequentemente, escassearam-se também, os debates e as pesquisas sobre fronteiras. Todavia, estão sendo retomados, mais recentemente, alguns estudos dessa natureza.

Determinadas pesquisas geográficas estão vinculadas, assim, aos rearranjos territoriais desenvolvidos nesta atual fase do modo de produção capitalista. Inclusive, novos muros entre povos e países são erguidos, fronteiras segregacionistas estão sendo criadas e reforçadas. Em meados dos anos de 1990, na fronteira MEX-EUA, iniciou-se a construção de um extenso muro. Camuflado em parte pelas lembranças do Muro de Berlim, a sua aparência, no 

entanto, após dez anos de existência, tornou-se muito mais evidente. Hoje, parcialmente em razão dessa maior visibilidade emergem questionamentos diversos, muitos deles preocupados em romper com a simples aparência dos processos.

Objetivando-se, também abordar algumas das relações socioespaciais pertinentes ao muro estadunidense (e à referida fronteira) definiu-se, então, investigar:

- Se o propósito geopolítico original do Muro tem alcançado o êxito esperado pelos seus idealizadores, ao longo desses anos;

-  Possíveis contradições entre alguns valores éticos genericamente atribuídos ao muro e as políticas dos Estados-Nacionais envolvidos no controle da fronteira;

-  A geopolítica do Estado mexicano na fronteira sul (México-Guatemala e Belize).

Preocupações como essas, por exemplo, são merecedoras de investigações geográficas, mesmo que os resultados sejam, ainda, parciais e preliminares. Portanto, neste trabalho realizou-se, inicialmente, uma reflexão envolvendo concepções de fronteira, incluindo, conotações pertinentes ao atual contexto da globalização. A segunda parte focalizou a formação das fronteiras norte e sul do México destacando, entre outros processos, os seus elementos contraditórios. Efetuou-se, na terceira e última parte desse artigo, uma caracterização e uma problematização geográfica do Muro. 


 


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